Eric Dragonheart | 12/04/2024
Alana segura Theo no colo enquanto tenta fazê-lo dormir, ela entoa uma canção de ninar em um tom sereno e baixo, o suficiente para que ninguém escute com exceção de seu pequeno.
A casa improvisada que Alana encontrará se encontrava no completo breu, nem uma fresta de luz se via presente, uma ótima notícia. Um bocejo longo e inocente faz Alana o colocar filho no carrinho de bebê, a mulher se afasta e se senta no sofá do outro lado da sala.
Sua mente foi teletransportada para o passado, e ela se lembrou de sua conversa com Breno, isso pouco antes de Theo nascer.
Seus devaneios foram encerrados quando murmúrios vindos do lado de fora chamaram sua atenção. Alana rapidamente puxou sua faca e se encaminhou devagar até a janela, por uma pequenina fresta, ela observou; claro, tomando cuidado para que a luz do sol não tocasse seu olho.
Do outro lado da rua, três “pessoas” se protegem do sol embaixo de um ponto de ônibus; ela não consegue ouvir direito, mas aparentemente um dos membros está irritado e em um surto, joga uma pedra na parede da casa onde Alana se encontra.
— Preciso ir — sussurra para si mesma.
Assim que vira as costas, a janela é quebrada com uma pedra ocasionando na queda das madeiras que a bloqueavam e uma rajada de luz adentra a casa atingindo suas costas com tanta força que Alana revira os olhos de dor, seu corpo cai para o lado e a mulher tem convulsões até apagar.
— Temos que ir para o Sudeste! — Diz Alana.
— É melhor nordeste — Retruca Breno — Não podemos arriscar esbarrar com aquelas coisas.
— E como sabe?
— Não sei OK! Mas que opções temos.
— Você eu não sei, mas vou para o Sudeste — Alana saiu apresada.
— ALANA! — Breno gritou.
Quando tempo se passou? A manhã virou dia quando Alana enfim abriu os olhos, mas antes deles, foi o choro de Theo que acordou seus ouvidos. A mulher se levanta no susto olhando ao redor, seu filho estava do outro lado da casa e entre ela e ele, uma fresta intensa de luz.
Alana leva a mão as costas, suas feriadas se curaram; se pões de pé e seu único pensamento era de como iria chegar ao filho, mas esse nem era o pior, o choro chamou a atenção das “pessoas” do lado de fora, ouviram mesmo longe, a sorte foi que o sol os impedia de chegar… por enquanto. Mas além deles, havia algo que ela não podia controlar, o movimento do sol, conforme os minutos fossem passando a luz se aproximava de Theo, com o garoto preso no carrinho seria pulverizado se a luz o alcançasse.
Alana se apavorou com a ideia, mas seria uma realidade se ela não tomasse uma atitude. Esperar e ver o filho ser pulverizado ou tentar atravessar e ser pulverizada antes de chegar ao garoto ou ainda, esperar o dia passar e ser atacada pelas coisas do lado de fora.
Nesse turbilhão de pensamentos, Alana lembra do dia em que seu pescoço fora mordido, da briga para se libertar da fera, da sensação de ter presas crescendo em meios aos dentes, do gosto de sangue descendo pela garganta e da dor causada pelo sol.
Ela então avista uma vassoura encostada na parede sendo iluminada pelo sol e ao lado de seu filho uma coberta.
Alana tira sua camisa, enrola ao redor do braço e se aproxima da parede tentando agarrar a vassoura, está longe do seu alcance, sem escolhas dá um passo à frente, queima o rosto, mas a pega e se joga para trás, começa novamente a convulsionar, tenta se manter consciente, mas as convulsões a fazem lembrar do parto do filho.
— Não consigo continuar — dizia Alana ofegante.
— Tem uma cidade aqui perto — comentava Breno — estaremos seguros lá
— Não, vai nascer, não consigo dar nem um passo a mais — ela levou a mão a barriga e se sentou em uma pedra encostando as costas em uma árvore.
O barulho da guerra ao fundo atormentava os dois. Eles se aproximavam. Breno estava inquieto, parou um instante e por estar preocupado com a situação, ele toma uma decisão.
— Sobreviva — dá um beijo em Alana e corre morro acima.
— BRENO!
— Ei! Seus arrombados eu to aqui!
Ele gritava e gritava e então correu quando um grupo de pelo menos 20 “pessoas” o seguiu apressadamente. Alana se escondeu atrás da árvore e levou as mãos a boca enquanto lágrimas escorriam de seu rosto além da dor do parto.
Dessa vez não ficou muito tempo desacordada, cerca de 5 minutos, seu rosto ainda estava regenerando. Pegou a vassoura e a esticou para tentar alcançar a coberta. Com bastante dificuldade, a alcançou. Puxou para perto e, então, a cobriu e avançou. Sentiu o corpo esquentar, mas passou ilesa. Só não esperava que sua passagem fosse notada pelo grupo que vigiava a casa atentamente.
Ao chegar ao filho, abraçou-o e este parou de chorar. Ela se afastou da fresta, encostando na parede o mais distante possível. No entanto, o dia não foi perfeito. Diversas janelas começaram a ser danificadas por pedras e objetos lançados contra a casa. As frestas começaram a surgir aos montes. A mulher se desespera e se acomoda abraçando ao filho em um pequeno canto da parede. Enquanto abraça o filho, a raiva se revela em suas pupilas.
Ao cair da noite a porta da casa é derrubada e o pequeno grupo adentra portando alguns facões. Está vazia, aparentemente, um deles encontra o carrinho de bebê vazio, mas a cabeça de um dos seus colegas sai rolando pelo chão até parar em seu pé.
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