Eric Dragonheart | 11/06/2020
A noite fora arrastada e July ainda não havia saído da primeira página de seu conto, e o pior o prazo acabava logo ao amanhecer. Andando de um lado para outro, sua única companhia era sua nanica gata branca Sophie, que pela cara parecia estar gostando de ver a dona louca, como de costume.
— Sophie por que não me ajuda a escrever o conto?
— Por que eu não tô afim? — Respondeu à gata
— Sabe que se eu não conseguir escrever o conto vou ser demitida né?
— E…
— Você fica sem sua ração!
— Você sabe que essa ameaça não funciona mais, né?
— Funcionava quando você era filhote — a gatinha deu de ombros — Vai, me ajuda a ter ideias!
— É… não, eu prefiro ficar aqui deitada e quentinha nesses cobertores.
Claramente a irônica felina era perfeita para a desesperada July. A garota resolveu focar em seu conto, e não há nada pior para um desesperado pelo prazo do que um estalo lançar o apartamento em um breu total.
— É sério isso? — Exclamou a desesperada indignada.
— Hehe — sussurrou a irônica.
July foi até o interfone, mesmo ele, estava sem energia. Sua atenção então retornou à janela de seu apartamento, as ruas da famosa Avenida Paulista totalmente escuras. July olhou para o computador apagado, fechou os olhos e desabou em um canto da casa com seu rosto entre os joelhos.
Mas por pouco tempo…
— Vem Sophie, vamos até o terraço.
— Por quê?
— Vamos religar a força!
— Espera voltar, além disso, tá frio e eu quero ficar aqui.
Ao subir as escadas para terraço com Sophie em seus braços, July se deparou com uma porta trancada.
— Satisfeita? — Resmungou Sophie
July movimentou a mão esquerda como se estivesse abrindo a maçaneta de uma porta, e a porta do terraço se abriu, o rosto de ironia passou para ela agora, a pequena felina manteve a face de deboche.
Sophie não estava enganada, o frio assolou as duas em uma rajada só, do terraço dava para acessar a casa de máquinas do prédio onde o gerador ficava. Ao se aproximar da grade de proteção, July movimentou novamente a mão e os fios da grade começaram a se torcer, abrindo passagem para elas.
Ao chegar perto da porta, July deixou Sophie ir ao chão, a gata ficou ao lado da dona, a garota encarou o gerador, seus olhos antes, azuis se tornam amarelos e em um clarão o gerador voltou a funcionar. O silêncio da noite foi interrompido pelos gritos de alegria dos moradores, July deu um sorrisinho para Sophie que rapidamente deu as costas e voltou correndo para as escadas, a garota a acompanhou enquanto os feitiços lançados foram sendo desfeitos.
Assim que entrou no apartamento, a luz acabou novamente, o “maligno” sorriso felino surgiu novamente.
— O que deu errado? O feitiço tava certo!
— Não adianta se não tiver uma fonte real, lei n.º1 da bruxaria, dona novata.
— Não precisa me lembrar dona sabichona, e por que não me disse isso lá em cima?
— Você não perguntou.
Novamente July desabou em um canto da casa com seu rosto entre os joelhos. E novamente, por pouco tempo.
— Tive outra ideia!
— Lá vamos nós de novo…
Ao chegarem na rua, a escuridão tomou conta da avenida, July atravessou a rua em direção ao primeiro transformador que viu, ela olhou de canto, para um lado e para outro, estendeu as mãos e os olhos fizeram seu trabalho, uma luz incandesceu a avenida, e as luzes retornaram nos grandes prédios.
July esperou 10 segundos antes de voltar. Assim que deu meia volta, o transformador explodiu jogando a avenida novamente no breu, na verdade, devido à alta tenção, July causou uma reação em cadeia e vários e vários transformadores ao longa da rua, foram explodindo sequencialmente. A garota meteu o pé.
Ao se jogar no sofá, Sophie pulou em suas costas e se deitou, July olhou incrédula para ela, mas estava sem esperanças e forças para retrucar qualquer coisa.
A garota nem viu quando adormeceu, mas foi acordada com seu celular tocando, era o chefe da revista. Preciso dizer que o coração da garota gelou?
— Alô…
— July, tivemos um problemão aqui, por conta do apagão não vamos conseguir publicar nada hoje.
— Apagão?
— É, não ficou sabendo? Acordou agora garota? — July olhou para a hora no celular, 11:30 da manhã. — A cidade toda teve um apagão e não tem previsão de volta, vamos ter que adiar essa edição da revista e postá-la amanhã ou depois, quando a energia voltar olho o conto que me enviou.
— Que enviei?
— Sim, recebi a notificação aqui ontem de noite, mas enfim, tenho que ir, até. — e desligou.
July não entendeu nada, tirando o fato que ela provavelmente tacou a cidade toda em um breu. Assim que se deu conta, a vergonha vermelhara seu rosto, mas foi apenas por um instante.
Ao olhar para a sua mesa de trabalho, Sophie estava dormindo sobre o teclado do computador.
A garota sorriu.
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