Eric Dragonheart | 27/08/2026
O mar não nasceu do céu nem da terra. Ele nasceu de uma risada.
Houve um par que veio ao mundo com o mesmo fôlego: Caspian e Nalani. Quando um abriu as asas, o outro abriu os olhos. Quando um sorriu, o outro já sabia o motivo.
Eles eram pares — como todos os dragões são — mas eram também curiosos demais para ficarem quietos. Dragões não gostam de silêncio… ou qualquer coisa séria demais.
Caspian tinha escamas em tons de azul e cobre, irregulares como conchas gastas pelo tempo. Nalani brilhava em azuis translúcidos, como se o céu tivesse aprendido a fluir sobre seu corpo. Ambos eram majestosos, sim… mas jamais solenes.
Assumiam forma humana quando queriam caminhar entre os povos, e mesmo assim eram estranhos: pés sempre descalços, cabelos que se moviam sem vento, chifres que mostravam sua força, risos surgindo ao todo momento.
Até que Caspian, foi quem percebeu primeiro.
‘’Esse lugar está seco demais’’ disse, observando o deserto a sua frente.
‘’Então vamos molhá-lo’’ Nalani respondeu, sorrindo como quem teve uma ideia proibida e adorável ao mesmo tempo.
Eles não queriam destruir nada. Só queriam ver o que aconteceria.
Durante dias — ou anos, ninguém sabe — voaram juntos, derramando água das nuvens, das entranhas da terra, do próprio riso. Caspian cavava sulcos profundos com as garras; Nalani os preenchia, dançando no ar como quem pinta um quadro.
Quando cansavam, tomavam forma humana e corriam pela lama recém-criada, rindo como crianças que haviam feito bagunça demais para voltar atrás.
O mundo tentou reclamar. As montanhas rangeram. Os céus franziram a testa.
Mas dragões são livres. E pares, quando concordam, são imparáveis.
Quando enfim pararam, o chão já não era o mesmo. A água se movia sozinha, obedecendo a um ritmo que ninguém ensinara. Livre.
Caspian olhou para aquilo tudo e perguntou: ‘’E se ele nunca parar de se mover?’’
Nalani sorriu. ‘’Então ele nunca vai ficar entediado’’.
Eles mergulharam juntos, desaparecendo nas profundezas para nunca mais serem vistos.
Dizem que ainda vivem ali, rindo entre correntes e marés.
Que toda onda que quebra é uma conversa antiga.
Que toda ressaca é apenas uma pequena discursão que saiu um pouco do controle.
E quando o mar está calmo demais, os velhos marinheiros sorriem.
Porque dragões não abandonam suas criações.
Eles apenas se divertem com elas.
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